Igreja nos Lares

UM NOVO MODISMO, OU O RETORNO ÀS PRÁTICAS PRIMITIVAS DA IGREJA?


Veja por exemplo os dois primeiros versículos da carta escrita por Paulo ao seu cooperador Filemon, está claramente escrito que a Igreja se reunia na casa deste irmão. Igualmente, em Colossenses 4:15, Paulo manda uma saudação à irmã Ninfa, em cuja casa se hospedava a Igreja de Laodicéia

Os exegetas nos contam que a carta que Paulo escreveu aos Romanos, ele a escreveu enquanto estava na cidade de Corinto e por isto, em Romanos 16:23, ele envia aos irmãos de Roma uma saudação do irmão Gaio, que além de o estar hospedando naquela data, também era o hospedeiro de toda a Igreja de Corinto. Devido a este fato é que falando aos irmãos em 1Coríntios 14:23, ele traz uma direção de como proceder, quando a Igreja toda estivesse reunida no mesmo lugar (neste caso, a casa do irmão Gaio


Preste bastante atenção em cada palavra dos seguintes textos bíblicos: Atos 12:2; Atos 21:8-14; Atos 16:40; Atos 20:17-20 e Tito 1:7-11. Porque você acha que em todos estes textos, associados à casa dos irmãos, há pessoas: congregadas, orando, profetizando, confortando uns aos outros e ensinando? Logicamente, por se tratar das atividades cotidianas da Igreja, que se reunia, exatamente nestas casas mencionadas.


O casal Áquila e Priscila sempre cooperaram com o ministério de Paulo, e também eram missionários que migravam levando o evangelho. A Bíblia menciona por duas vezes que em cidades diferentes, onde eles se encontravam, eles hospedavam a Igreja do local em suas casas. Confira isto lendo: 1Coríntios 16:19 e Romanos 16:3-5.


Um caso muito especial é o caso de Jerusalém, uma das metrópoles da época. A Bíblia diz que em Jerusalém os cristãos primitivos partiam o pão (a principal reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 2:46), eles também ensinavam (outra importante reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 5:42). Quando Saulo começou a perseguir esta igreja, com o propósito de prender os cristãos (Atos 8:3), ele entrava de casa em casa (porque era aí que os cristãos se reuniam). Os historiadores mencionados no início do estudo, nos contam que Jerusalém, durante o primeiro século, teve centenas de casas onde os cristãos se reuniam. Nestes dois primeiros textos, também é mencionado que os cristãos iam ao templo Judaico. Será que eles iam lá para a reunião da Igreja? Lógico que não! Você acha que os Sacerdotes que os ameaçavam (Atos 4:15-21), os espancavam (Atos 5:40) e os levavam para o cárcere (Atos 4:1-3 e Atos 5:17-18) por ensinar no nome de Jesus; iam ceder o templo Judaico para a reunião da Igreja? É irracional pensar desta forma. Eles se reuniam apenas no Pórtico de Salomão (Atos 5:12), que era uma parte do átrio exterior do templo. Esta parte era aberta também aos gentios e um local de frequentes debates e muito comércio (Mateus 21:12). Os Apóstolos iam lá com propósitos evangelísticos, conforme a Bíblia nos mostra (Atos 2: 40-41 e Atos 4:4). Que em Jerusalém os cristão se reuniam de casa em casa (isto é nas casas de seus próprios membros) é um fato bíblico e históricamente comprovado.

Outro caso muito interessante refere-se a outra metrópole da época que era Roma. O apóstolo Paulo ao escrever sua carta aos cristãos daquela cidade, saúda nominalmente um primeiro grupo: “Áquila, Priscila bem como à Igreja que se reunia na casa deles” (Romanos 16:3-5). Ele também saúda nominalmente um segundo grupo: “Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que se reúnem com eles” (Romanos 16:14). E saúda ainda nominalmente um terceiro grupo: “Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que se reúnem com eles” (Romanos 16:15). Vemos que existiam em Roma, pelo menos três grupos distintos de cristãos (que se reuniam em casas também distintas) por ocasião desta carta. O mais interessante é que quando Paulo chega em Roma, ele não começa a se reunir em nenhum dos locais já existentes. Ele começa um quarto grupo em uma casa que ele mesmo alugara (Atos 28:30-31). Porque isto? Será que Paulo não se dava bem com os outros três grupos de cristãos? Amados devemos entender que casas são geralmente pequenas (comportando um grupo pequeno de cristãos), e quando Paulo chegou em Roma provavelmente as outras três casas, onde os cristãos se reuniam, já estavam no limite máximo de pessoas; assim ele normalmente começou um quarto local para reunião de cristãos em sua própria casa.

Uma última explicação necessária, refere-se ao texto de Atos 20:8 onde é mencionado que os irmãos estão reunidos num cenáculo. Muitos por desconhecerem o grego, confundem um cenáculo com um templo, sinagoga ou algum outro tipo de “local mais próprio para reuniões, do que uma casa”. A palavra grega para cenáculo é “huperoon”, e significa simplesmente uma casa maior com um segundo pavimento. Veja isto claramente mostrado nos textos de Atos 1:13 (onde os cristãos estão reunidos num cenáculo, à espera do Espírito Santo) e Atos 2:2 (onde o Espírito Santo ao ser derramado enche toda a casa onde eles ainda continuavam reunidos e esperando por Ele). O cenáculo mencionado é apenas uma casa grande, com um pavimento superior (comum aos mais ricos da época).


Visando refutar esta lógica bíblica de clareza impressionante, alguns teólogos modernos, com o propósito de defender e sustentar o “denominacionalismo” tem feito três afirmações, que passaremos a analisar à seguir:


Primeiramente afirmam que a Igreja realmente começou reunindo-se nas casas de seus membros; mas que isto se deu exclusivamente por causa da perseguição imposta sobre ela; que isto durou poucos anos e que as casas e as catacumbas foram apenas locais provisórios de reunião visando fugir da perseguição. Tanto a Bíblia quanto a história desmentem estes argumentos. Lucas disse em Atos 9:31, que: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número”. Interessante notar que durante todo este período de paz, a Igreja está se reunindo nas casas de seus membros (logo o motivo de reunir-se em casas não foi a perseguição). A história também nos mostra que em termos cronológicos, a perseguição foi esporádica nos primeiros séculos e não algo permanente. Durante as perseguições, realmente os cristãos se refugiavam nas catacumbas, mas tão logo amainavam as perseguições, a Igreja voltava a se reunir no ambiente determinado pelo Espírito Santo, ou seja as casas dos irmãos, que a constituíam.

Seu segundo argumento é que tanto Jesus, quanto os apóstolos primitivos apoiavam a “reunião numa sinagora”, visto que falavam e participavam de reuniões em tais lugares. Dizem eles que o moderno templo (seja católico ou evangélico), é algo derivado da sinagora, e que sendo assim, o fato de Jesus e os apóstolos tê-los freqüentado, credencia os templos atuais, como locais de reunião da Igreja. Eles se esquecem que os Judeus haviam determinado, conforme vemos em João 9:22 e João 12:42 que se alguém se tornasse cristão, deveria ser expulso das sinagogas. Sinagora, é lugar de reunião de Judeus não de cristãos. Jesus e os apóstolos primitivos eram Judeus, por isto participavam das reuniões dos Judeus. Da mesma forma, que com relação ao templo de Jerusalém, os cristãos primitivos iam às sinagogas com propósito evangelístico como vemos em Atos 14:1 e Atos 18:4. Não existe menção de uma só “reunião da Igreja” acontecendo numa sinagora. Sinagora e templo são culturas cultura judaicas ou pagãs, não fazem parte da Igreja e do cristianismo primitivo. Por entrarem lá os cristãos primitivos não os estavam avalizando (como local para reunião da Igreja), e sim os utilizando com propósitos específicos (1Coríntios 9:20-23).

Um terceiro argumento destes teólogos modernos, é que o significado da palavra grega da qual veio nosso vocábulo Igreja, seria “os chamados para fora de suas casas”. Isto soa forte e impressiona, devido a não temos conhecimento do grego. Assim engolimos tal afirmação, como sendo um forte argumento. Entretanto o vocábulo grego “ekklesia”, do qual veio nossa palavra “Igreja”, é composto de duas outras palavras, “ek + kaleim”. A palavra “Kaleim” significa simplesmente “chamados” e o prefixo “ek” significa “para fora”. Então o significado de Igreja é “os chamados para fora”. A palavra grega para casa é “oikos”, e não está presente no vocábulo Eklesia (Igreja). Porque então traduzir Igreja como “os chamados para fora de suas casas”? Se queremos aclarar a explicação do vocábulo, não seria mais lógico e bíblico dizer que a Igreja é o conjunto dos “chamados para fora”, do sistema mundano e carnal criado e mantido pelo diabo. Assim sendo, preferimos ficar com aquilo que a bíblia diz, pois tememos acrescentar algo à Palavra de Deus (Apocalipse 22:18).

Os versículos e argumentos acima são mais que suficientes para provar a qualquer cristão sincero, que não há comprovação bíblica e nem histórica (pelo menos até o início do quarto século) para reuniões da Igreja em nenhum tipo de lugar que não sejam as próprias casas de seus membros! Seria tão estranho para os cristãos primitivos se reunirem em templos, como é estranho para alguns cristãos atuais reunirem-se em casas.

Más reunindo-se em tantos locais (casas) diferentes, em uma mesma cidade, isto não irá produzir grande divisão entre os cristãos, quebrando assim a unidade da Igreja na cidade?

Tanto a Bíblia quanto a história desmentem este conceito, Reunir-se em várias casas (e nelas partir o pão), foi a realidade da Igreja Primitiva, e nunca a dividiu. A Mesa (princípio de comunhão) continuou única, apesar de estar presente em vários locais. O que divide não são os muitos locais de reunião e sim algumas atitudes do coração de quem está se reunindo. Veja isto: Marcos 7:21-23 - 1Coríntios 3:3-6 - Gálatas 2:6-10 - 1João 1:1-3.

Quando nos recusamos a ter comunhão (um anti-tipo da Mesa) com irmãos genuinamente salvos, aí sim estamos dividindo o Corpo de Cristo. Aquele que Cristo aceitou, tem comigo unidade de espírito, porque eu também fui aceito por Ele. Ainda que não tenhamos chegado à unidade de fé, podemos ter comunhão. Veja isto em Efésios 4: 3-16. Esta postura realmente divisiva, é vista claramente na conduta do Presbítero Diótrefes (3João 9-11); que desejando ter a primazia (proeminência) entre os demais presbíteros, agia de maneira arbitrária e intransigente, se recusando a receber na comunhão outros irmãos cujo pensamento diferia do dele (incluindo entre estes o próprio apóstolo João); tentando impedir os demais irmãos da Igreja de recebê-los e chegando até mesmo a ameaçá-los com a expulsão da igreja.

Finalizo esta reflexão com uma última pergunta. Se ao construir sua casa material (o tabernáculo judaico), Deus deu um projeto preciso a Moisés e não permitiu nenhum acréscimo a este projeto original (Êxodo 25:9), será que na construção da sua casa espiritual, que é a Igreja (1Pedro 2:5), Deus permitiria tais acréscimos?

A pergunta correta não é porque nos reunirmos de casa em casa, já que isto faz parte do projeto original de Deus, para sua Igreja. A pergunta correta a ser feita é, onde obtivemos permissão para nos reunirmos de forma contrária ao projeto original. Se negligenciarmos este ponto fundamental da reunião da Igreja, a negligência em outros pontos também virá, será apenas uma questão de tempo (Lucas 16:10)!


Igreja nos lares- Breve histórico


No livro de Atos dos Apóstolos podemos notar as reuniões diárias dos cristãos no Templo em Jerusalém. Por essa razão, supõe-se a forma de cultos no mesmo padrão litúrgico dos dias de hoje. Entretanto, o Templo era exclusivo aos serviços religiosos judaicos, e, mesmo sendo judeus, os primeiros cristãos jamais obtiveram êxito em reformar sua liturgia. Havia muitos cristãos em outras cidades, mas somente em Jerusalém existia o templo – destruído no ano 70 d.C.e sem prejuízo para o cristianismo local. Uma infinidade de passagens bíblicas comprova que famílias hospedavam as igrejas em seus lares. Assim, nos primeiros 150 anos após a morte de Cristo, essa era a rotina das famílias cristãs. Após esse período, essas famílias foram deixando suas residências e destinaram-nas para uso das comunidades. Só depois de 300 anos é que foi construída a primeira Basílica.


Essas referências que acompanham o substantivo próprio “igreja” (Simples, Orgânicas e nos Lares) não são encontrados na Bíblia. A igreja não tem “sobrenome” no Novo Testamento. A única referência que o Novo Testamento usa para a igreja é a cidade onde ela existe, ajunta-se e se relaciona com a sociedade: igreja em Corinto, em Felipos, em Antioquia, as sete igrejas nas sete cidades da Ásia etc. Esses “acompanhamentos” (nos lares, orgânica e simples), são apenas referências utilizadas atualmente para tentar descrever, em poucas palavras, como a igreja, sendo um organismo vivo, existe, relaciona-se com Deus, como os cristãos se relacionam uns com os outros, e como a vida da igreja se inicia e se expande.


Em outras palavras, é preciso ficar claro que:


a) não existe igreja nos lares! Existem irmãos que buscam viver Cristo a partir de suas famílias, de suas casas. Vivendo assim, a igreja testifica ser a família de Deus, não aceitando que o viver cristão ocorra em um templo por algumas horas e somente em um determinado dia da semana, enquanto que, dentro de casa, cada um vive seu viver egoísta e mundano. Ser igreja envove toda nossa vida e não momentos ou dias especiais, e começa na relação que cada um tem com o Deus Triúno, expandindo-se para a relação com seus familiares, alcançando parentes, vizinhos e amigos. Um viver baseado apenas em frequentar locais sagrados em dias especiais não é ser igreja, mas estar temporariamente “parecendo” igreja, por estar indo à igreja ou visitando à igreja.

b) Não existe igreja orgânica! A natureza da igreja é orgânica, porque ela é o Corpo vivo de Cristo e, como um organismo, todos os membros estão ligados ao cabeça e fazem parte uns dos outros. O mesmo sangue que circula na Cabeça é o sangue que circula nos dedos mínimos do pés. A igreja recebeu, ao nascer, um DNA, isto é, elementos divinos que produzem expontaneamente o viver da igreja na exata medida e expressão que a natureza e essência do doador desse “material genético”, isto é, a relação do Pai, Filho e Espírito. Assim como uma semente possui o DNA da árvore que a produziu, a igreja possui o DNA de Deus! A igreja é Santa, porque seu DNA é santo; a igreja é maravilhosa, porque seu DNA é maravilho; a igreja ama os miseráveis, porque seu DNA é o próprio amor que o Pai, o Filho e o Espírito derramam entre si; a igreja aprecia estar reunida, porque possui um DNA que reproduz o mesmo “magnetismo” sagrado e o apreço que o Filho tem em estar com o Pai, que o Pai tem em estar com o Filho; a igreja é una, porque seu DNA é inseparável e eternamente único. Em que pese cada cristão faça parte da igreja por ter nascido de novo, de acordo com o padrão do Novo Testamento, não se pode dizer que o ajuntamento de cristãos individuais e individualistas que não expressem esse DNA seja igreja no aspecto coletivo, o que, de maneira alguma, implica que esses mesmos cristãos não sejam parte do Corpo de Cristo. Eles são, de fato e de direito, mas podem estar perdendo a oportunidades de usufruir com mais intensidade da maravilhosa relação orgânica da vida da igreja tal qual projetada por Deus nas Escrituras.

c) Não existe igreja simples! A natureza da igreja, em que pese sua multiforme complexidade, é simples, porque Deus é simples. Olhe a natureza em sua volta: como as criaturas, plantas, árvores e flores são geneticamente tão complexas, mas, ao mesmo tempo, esse conjunto é tão simples e essa simplicidade traduz a beleza de uma harmonia que só pode ter sua origem na simplicidade de Deus. Essa mesma simplicidade está presente quando uma irmã ora por uma família, sem ninguém (humano) pedir; quando um casal visita outro casal e ali celebram juntos a vida em Cristo; quando irmãos visitam hospitais e presídios, simplesmente porque o Senhor lhes pediu para visitar; quando jovens se encontram para louvar a Deus sem nenhum “irmão mais velho” mandar; quando você, espontaneamente, prega o Evangelho para seus colegas de trabalho ou vizinhos; quando os irmãos se organizam para comprar uma cesta básica para um família em necessidades. Quando tudo isso ocorre de maneira simples, sem um programa semanal, sem uma ordem de um líder humano, sem uma escala de serviço pré-agendada, o mundo pode testificar a simplicidade da vida cristã. Hoje, muitas pessoas rejeitam o Evangelho porque vêem que a vida cristã é muito complexa para elas, possui muitos rituais, muitos manuais de comportamento e muitas atividades obrigatórias que elas não vão dar conta de seguir. O que as pessoas buscam hoje é um viver simples, relacionamentos simples e uma fé simples, que deveriam ser encontrados na simplicidade e singeleza do Cristo vivido na igreja. Nosso Senhor teve um viver tão simples nesta Terra; não tinha um lugar para dormir e não tinha muitos compromissos… Ele seguia apenas as orientações do Pai. Por fim, quando partiu desta Terra, deixou apenas alguns lençóis em um túmulo emprestado (Jo 20:5; Lc 24:12).

Concluindo: dizer que a vida da igreja ocorre nos lares e a partir dos lares, que ela é orgânica e simples é um eufemismo, isto é, soa como dizer que a Terra é redonda, que a noite é escura, que a água é líquida etc. Entretanto, a igreja atual se distanciou tanto do que vemos no Novo Testamento que, por mais absurdo que sejam, esses eufemismos são necessários e, misteriosamente, podem até chocar alguns, assim como . Há contudo o perigo de que esses eufemismos se tornem, em um futuro não tão distante, mais uma denominação.

Há alguns irmãos que, ao invés de utilizar a nomenclatura Simples-Orgânica-nos Lares, estão utilizando o termo REVOLUCIONÁRIO para designar os irmãos que estão se reunindo de forma orgânica. Particularmente, preferimos utilizar os termos “irmãos que se reúnem nos lares” ou “grupos que estão nos lares” ou ainda “irmãos livres”.

Existe um movimento crescente chamado igreja nos lares que vem tomando espaço na mídia, além de preocupar líderes de igrejas tradicionais baseadas em templos religiosos. Esse movimento tem como essência uma tentativa de retorno à prática da igreja do primeiro século onde, segundo afirmam, as reuniões aconteciam nas casas.

É possível perceber um aumento significativo no número de cristãos que se sentem incomodados com o rumo que a igreja institucional tem tomado. Esse incômodo se manifesta de diversas maneiras, desde a desistência da fé até a busca de um grupo "mais verdadeiro", parecido com a igreja primitiva; com infinitas possibilidades entre esses dois extremos. Talvez ai comece um dos problemas da chamada igreja nos lares: a frustação e a falta de perdão. Vou falar sobre isso um pouco mais adiante. Por ora falemos da igreja primitiva e de como ela se reunia:

E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Atos 2:46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Atos 2:46
"E perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração..." Atos 2:46

Podemos perceber que no início da Igreja, os irmãos do primeiro século reuniam-se todos os dias no templo, além de dividir o pão em casa. Encontramos, além desse relato, vários outros que referenciam alguma reunião ou ida de irmãos ao templo para orar. É necessário entender que o templo referido nesse texto é o templo de Jerusalém, uma sinagoga judaica.Os primeiros irmãos eram judeus, sendo que os gentios só se juntaram a igreja a partir da conversão de Cornélio, capítulo 10 de Atos.

Após a chegada de gentios - não judeus - à Igreja, percebemos que as idas coletivas ao templo cessaram, acontecendo uma ou outra visita pessoal de discípulos judeus, para oração ou cumprimento de algum ritual judaico. Esse afastamento foi necessário, até porque os gentios eram proibidos de entrarem na maior parte das áreas do templo, e sua entrada em algumas áreas poderia ser punida com a morte. A Igreja, então, começa a se reunir nas casas dos irmãos:

"Saudai também a comunidade que se reúne em sua casa." Rm.16:5
"Áquila e Prisca, com a comunidade que se reúne em sua casa, enviam-vos muitas saudações." ICo.16:19
"Saudai os irmãos de Laodiceia, como também a Ninfas e a igreja que está em sua casa." Cl.4:15
"a Ápia, nossa irmã, a Arquipo, nosso companheiro de armas, e à igreja que se reúne em tua casa." Fm.1:2

As reuniões nas casas aconteceram de forma natural, já que não havia mais a possibilidade de reunirem-se no templo de Jerusalém e naquela época ainda não havia cinemas falidos para serem arrendados e os irmãos nunca construíram ou tentaram construir edifícios para reuniões. Mas podemos ver que em algumas ocasiões os irmãos se reuniam em lugares diferentes das casas, como no caso de Paulo, quando foi expulso da sinagoga em Corinto:


"Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus. Mas, como alguns se endurecessem e não cressem, desacreditando a sua doutrina diante da multidão, apartou-se deles e reuniu à parte os discípulos, onde os ensinava diariamente na escola de um certo Tirano." Atos 19:8-9

Paulo, na falta de templo, cinema e talvez uma casa que coubesse todos juntos, ensinava diariamente em uma escola! Isso nos mostra que não havia uma doutrina específica do local onde a Igreja deveria se reunir. Em épocas de perseguição pequenos grupos de irmãos chegaram a se reunir em catacumbas (túmulos).

Contudo, o fato de não haver nenhum ensino com relação ao local de reunião não autoriza a invenção de doutrinas sobre construção de templos. Muito menos ensinos, pregações, orações e etc. que afirmam, referindo-se a edifícios religiosos:
- Deus habita neste ou naquele local;
- Neste local Deus manifesta a sua graça;
- Essa é a casa de Deus;
- Precisamos construir a igreja;
- Este local é a igreja.

Entre inúmeras outras citações que afirmam ter Deus alguma relação com um edifício feito por mãos de homens são comuns, porém infundadas. Deus não tem relação com construções! Pode ser linda, histórica, réplica do templo de Salomão, de aparência santa, mas na verdade não passa de tijolos sem valor algum para Deus. Devemos lembrar que: o único templo que teve valor para Deus, Jesus destruiu e reconstruiu em três dias! Ou seja, nós somos O ÚNICO templo de Deus, pessoas reconstruídas por Jesus. Se você ouvir algo diferente disso fique atento: é uma mentira! Portanto, a construção de edifícios não é problema, mas chamá-los de casa de Deus, templos santos, ou qualquer outro nome que denote uma manifestação especial de Deus é, já que trata-se de uma MENTIRA. Isso sim é contra a vontade de Deus.

Volto agora ao início do problema com a igreja nos lares: frustração e falta de perdão. Muitos estão sendo machucados nas instituições religiosas que, infelizmente, funcionam como uma grande empresa. É mais ou menos assim: enquanto você traz resultados é querido, deixou de trazer é descartado e não sobra nenhum amigo, aliás, na maior parte das vezes, sobram inimigos. Muitos, ao passarem por situações como essa, ou mesmo por tentarem mudar algo relevante em sua instituição, sem lograr sucesso, saem em busca de algo novo, algo "mais verdadeiro". Nada mais parecido com "a verdade" do que a igreja primitiva. Só o nome já diz tudo! Tem o cheiro de Jesus, tem todo um embasamento bíblico, é bonito, é moderno (vintage tá na moda né?). Só não podemos esquecer uma coisa:

A base da igreja não é o local onde acontecem as reuniões, mas o amor e o compromisso de um para com os outros!

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
João 13:35
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." João 13:35

Devemos ter em nossas mentes que para nos tornarmos parte da Igreja de Jesus não é necessário buscar o local correto, mas a motivação correta. Portanto se existe mágoa, frustração, inimizades, ciúmes, inveja, brigas; o local de reunião é o menor dos problemas. Nesses casos faz-se necessário voltar para a base dos ensinos de Jesus, descritos em Matheus, capítulos de 5 a 7 e no final construir uma casa em terreno sólido, na rocha, onde nem a pior das tormentas poderá derrubar. Se caiu o que você, com tanto afinco construiu, é porque não estava com a base onde deveria estar.

Com a motivação correta, cheio de desejo de ser UM em uma comunidade cristã, certamente você poderá se juntar com pessoas para serem juntos Igreja, e o prédio para reunião se tornará apenas um acessório, que pode ou não ser usado




O escritor Bob Fitts, defende à luz do modelo do Novo Testamento, o desenvolvimento de igrejas em casas.

A seguir, apresentaremos de forma resumida, seu comentário publicado pela revista Atos:

“Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus... saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles” (Rm 16.3-5).

“As igrejas da Ásia vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles” (1 Co 16,19).

“Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa” (Cl 4,15).

“Ao amado Filemom e à igreja que está em tua casa” (Fm 1,2).

“Com base nos versículos acima, é óbvio que a Igreja Primitiva reunia-se em casas”. Essas casas não eram o que poderíamos chamar de um prédio característico e específico de uma igreja.

Eram casas em que as pessoas moravam, e eram abertas como um local de reunião para a igreja.

“A Igreja Primitiva não tinha prédios de igreja. Os prédios não apareceram até o ano 232 d.C. O período mais explosivo do crescimento da Igreja na história, até recentemente, aconteceu durante os primeiros anos, quando não havia nenhum prédio de igreja.

“Contudo, neste exato momento, na China, há um incomum mover do Espírito de Deus que é até mesmo maior que o crescimento inicial da Igreja”. Isso está acontecendo sem o uso de prédios de igreja. Esse reavivamento é um movimento de igrejas em casas.

“A seguinte citação foi extraída do Relatório Calebe da edição de Jan/Fev. de 1990 da REVISTA MINISTÉRIOS”. Este relatório foi feito por Loren Cunninghan, fundador e presidente da JOCUM (Jovens com uma missão):

“De acordo com o U.S. Center For World Mission (Centro Americano Para Missões Mundiais), mais de 22.000 chineses estão vindo a Cristo a cada dia. É o equivalente a 7 dias de Pentecostes a cada 24 horas. Isso está acontecendo neste exato momento. A maior parte dessa explosão de uma nova fé está vindo das comunidades rurais da China. Onde vive 80% da população chinesa.

Jonathan Chao, fundador da Chinese Church Research Center (Centro de Pesquisa da Igreja Chinesa), contou-me como o reavivamento chinês está sendo espalhado por jovens, em sua maioria com idades de 15 a 19 anos. Os adolescentes vão aos vilarejos e compartilham o Evangelho onde ele nunca foi ouvido antes.

“Quando os convertidos são organizados em pequenos grupos, os adolescentes chamam os ‘presbíteros’ ou ‘anciãos’ (crentes de 20 a 30 anos de idade) para virem e ensinarem as recém-formadas igrejas em casas. Ao mesmo tempo, os adolescentes seguem adiante, para alcançarem o próximo vilarejo”.

“Através deste meio simples, as Boas Novas estão saltando sobre os campos e montanhas da China.”

O explosivo crescimento da Igreja que está acontecendo agora na China tem algo em comum com o crescimento da Igreja Primitiva do Livro de Atos. Ambos são um movimento de igrejas em casas. Este mesmo tipo de crescimento é visto em outros países hoje, onde os prédios de igrejas não são permitidos.
Há um princípio simples que é expresso aqui: Quando mais obstáculos que atrapalham a implantação de novas igrejas forem removidos, tanto maior será o crescimento que veremos.

Já tive experiências, tanto na implantação como no pastoreamento de igrejas em casa.

Vejo algumas claras vantagens na implantação de igrejas em casas para a multiplicação de igrejas:


AS IGREJAS EM CASAS SÃO FÁCEIS DE INICIAR

“Para se implantar uma igreja numa casa, você não precisa comprar propriedades, nem construir um prédio. Você não precisa de um púlpito, bancos de igreja, hinários, nem de um piano. Você pode ficar sem um batistério, uma escola dominical, e um pastor de jovens”.

Você não precisa pertencer a uma denominação, nem se torna membro. Você não precisa ter uma reunião aos domingos, ter um boletim da igreja, nem ter uma reunião no mesmo lugar todas as semanas.

Você não precisa ter uma placa com o nome da sua igreja. Ela não precisa de um nome. Na verdade, você nem mesmo precisa chama-la de “igreja”, contanto que você saiba que ela é uma igreja. Nenhuma das situações acima é ruim ou errada, mas também não são necessárias. O Apóstolo Paulo não usava nenhuma das coisas acima em seu ministério de implantação de igrejas.

Muitas de nossas igrejas modernas deixaram a simplicidade do Novo Testamento e acrescentaram tantas coisas extras, que na verdade não são necessárias. Por essa razão, tem ficado cada vez mais difícil iniciarmos uma nova igreja.

Não podemos ir a nenhum país onde o Apóstolo Paulo implantou igrejas e apontarmos para um prédio e dizermos: “Aquela é a Igreja de Corinto!” ou “Olhe para aquele lindo prédio! É a Igreja dos Efésios!” ou “Eis aqui a Igreja dos Tessalonicenses!” Não há nenhum prédio assim. Pelo que saibamos, as igrejas que Paulo iniciou reuniam-se em casas.

Ray Willians, um amigo íntimo, é missionário no México há 25 anos. Ele tem sido usado por Deus para iniciar dezenas de igrejas no México, das quais centenas de outras igrejas têm sido geradas.

Ele me contou recentemente, que certa vez, iniciou uma igreja num trigal. A igreja cresceu, e dela surgiu uma multidão de “igrejas-filhas e netas”, e cada uma delas com uma visão de implantação de novas igrejas.

Temos a tendência de tornar nossas igrejas complexas demais. Deus está nos chamando de volta à simplicidade e naturalidade da multiplicação.


AS IGREJAS EM CASAS SÃO DESCONTRAÍDAS E INFORMAIS

“Vários anos atrás, levei minha família a uma igreja cujo pastor era um notável mestre da Bíblia. Eu gostava muito daquela igreja e queria frequentá-la. No entanto, todos os membros de lá se vestiam com roupas que eram muito caras para as condições financeiras da minha família”.

Algumas pessoas não frequentam certas igrejas hoje porque o nível do padrão do vestuário é alto demais. Eles transformaram a igreja num evento “formal”. Muitos que não frequentam uma igreja do tipo formal frequentam uma igreja numa casa porque ela é mais descontraída e tem um ambiente informal e familiar.

Em seu livro UNDERSTANDING CHURCH GROWTH

(Compreendendo o Crescimento da Igreja), o Dr. Donald McGavran cita “Oito Chaves Para o Crescimento da Igreja nas Cidades”. A primeira delas nos dá a ideia do Dr. Mc Gavran sobre a importância da implantação e multiplicação das igrejas em casas. Ele afirma:

“As oito chaves que estou para mencionar não são meras adivinhações. Elas descrevem princípios com os quais concordam homens especializados no crescimento da Igreja”.

“Em primeiro lugar, enfatize as igrejas em casas. Quando a igreja começa a crescer, cada congregação precisa encontrar logo um lugar para se reunir”.

“A congregação deveria reunir nos ambientes mais naturais. Deveria ser um lugar em que os nãos cristãos possam vir com a maior tranquilidade. Ela deveria estimular os próprios convertidos a darem prosseguimento aos cultos. A obtenção de um lugar de reunião não deveria colocar um peso financeiro sobre as pequenas congregações”.

“A igreja em casas supre todos esses requisitos de forma ideal. Elas deveriam sempre ser consideradas, tanto para uma implantação inicial como para expansões posteriores.”


As IGREJAS EM CASAS SÃO FERRAMENTAS EVANGELÍSTICAS

“O Dr. Peter Wagner é considerado por muitos como a maior autoridade sobre o crescimento de igrejas hoje. Ele diz: “O melhor método debaixo do céu para a evangelização é a implantação de igrejas. Nunca houve método melhor e nunca haverá.”


AS IGREJAS EM CASAS FACILITAM O TREINAMENTO DE PASTORES E LÍDERES

“Os educadores têm entendido há muito tempo que o melhor método de treinamento ainda é o método de aprendizagem, isto é, o treinamento de “um mestre a um aprendiz na prática”. É o que um ferreiro, encanador, ou advogado teria recebido há cem anos atrás. Eles aprendiam observando e praticando, e, ao mesmo tampo, sendo responsáveis a um mestre na profissão.

Esse era o método de Jesus. Seus discípulos aprendiam observando, ouvindo e praticando, enquanto conviviam com o Próprio Mestre dos mestres.

Nas igrejas em casas os pastores podem ser treinados no sentido de fazerem de fato a obra de pastoreio. Ao mesmo tempo, eles estão sob a supervisão de um pastor sênior. Eles crescem à medida que a igreja cresce sob a liderança deles.


AS IGREJAS EM CASAS AJUDAM A ESTREITAR OS RELACIONAMENTOS

“Uma pequena igreja numa casa tem uma probabilidade muito maior de que as pessoas tímidas encontrem sua identidade no Corpo de Cristo”.

Em nossa igreja em casa geralmente almoçávamos juntos nos domingos. Todas as famílias participavam, preparando e servindo as refeições. A formação de relacionamentos ocorre muito mais facilmente neste tipo de situações “familiares”.
AS IGREJAS EM CASAS PODEM RESOLVER O PROBLEMA DO CRESCIMENTO


“Algumas das nossas congregações crescem tanto que precisam construir prédios maiores, alugar instalações maiores, ou fazer dois cultos”. Isso é o que chamamos de um ‘problema agradável’.

No entanto há também uma solução agradável. Comece a treinar pastores, designando-lhes uma área da cidade. Em seguida, dê-lhes algumas famílias para iniciarem uma igreja em casa nestas áreas da cidade, com o propósito de “terem um bebê”.

A coisa mais vivificante que uma igreja pode fazer é ter um bebê. Tenho visto muitas e muitas igrejas morrendo por causa de um espírito possessivo na liderança. As igrejas que Deus está abençoando são as igrejas que continuamente dão tudo o que Deus lhes dá.

Jesus disse: “daí, e dar-se-vos-á” (Lc 6.38). Uma igreja que dá é uma igreja que cresce.

Michael Green é o diretor da Faculdade de Saint John de Nottingham, Inglaterra. Em seu discurso no Congresso Internacional sobre a Evangelização Mundial em Lausanne, Suíça, em 1074, ele falou sobre os Métodos e Estratégias na Evangelização da Igreja Primitiva, os prédios não eram importantes. Eles não tiveram nenhum prédio de igreja durante o período de seu maior avanço.

“Hoje em dia, os prédios de igreja parecem importantíssimos a muitos cristãos”. A sua manutenção consome o dinheiro e o interesse dos membros. Isso geralmente os afunda em dívidas e os isola dos que não frequentam a igreja.

“Em alguns casos, até mesmo a palavra ‘igreja’ mudou o seu significado. Ela não significa mais um grupo de pessoas, como significava na época do Novo Testamento. Nos dias atuais, ‘igreja’ muitas vezes significa incorretamente um prédio.”

Há muitas vantagens nas igrejas em casas. A mais importante delas é a simplicidade e facilidade de multiplicação.

Os movimentos de igreja que cresceram mais rapidamente na história foram os que não tiveram enormes estruturas organizacionais. Os movimentos mais bem-sucedidos têm enfocado os aspectos essenciais sem hesitações.


AS IGREJAS EM CASAS NO NOVO TESTAMENTO

Durante a vida de Jesus na terra, residências comuns e simples eram usadas para a propagação do Evangelho e para o discipulado de novos convertidos. Isso também aconteceu durante a expansão da Igreja no Livro de Atos. Os versículos abaixo mostram isto:


UMA CASA ONDE JESUS FOI ADORADO

“Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhes suas ofertas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11).

A primeira vez em que um grupo se reuniu para adorar a Jesus e oferecer-lhe presente foi numa casa – a casa de Maria e José.


A CASA DE PEDRO FOI USADA PARA UMA REUNIÃO DE CURAS

“Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre. Mas Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo. Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes”(Mt 8:14-16).

Nos primeiros dias do Seu ministério, Jesus usou a casa de Pedro para fazer reuniões de pregação, cura, e libertação.


O PRIMEIRO CULTO DE CEIA FOI REALIZADO NUMA CASA

“Na última semana do ministério de Jesus, Ele disse aos Seus discípulos: “Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos” (Mt 26.18).

O nosso Senhor poderia ter escolhido celebrar a primeira Ceia com os Seus discípulos numa sinagoga, no Templo, ou em algum outro lugar de importância religiosa. Contudo, Ele escolheu celebrá-la numa casa comum e simples.

Assim sendo, Ele deu a Sua aprovação à residência comum como sendo um lugar consagrado e santificado, digno dos mais solenes cultos de adoração.


JESUS PREGOU A MULTIDÕES REUNIDAS EM CASAS

“Vários dias mais tarde, Ele voltou a Cafarnaum e as notícias da Sua chegada espalharam-se rapidamente por toda a cidade. Logo, a casa em que Ele estava ficou tão lotado de visitantes que não havia espaço para nem mais uma pessoa, nem mesmo fora da porta. E Ele lhes pregou a Palavra” (Mc 2:1 ,2 – A Bíblia Viva).

Jesus fez em casa as mesmas coisas que fazemos em nossos prédios de igrejas hoje em dia. Ele também fez estas coisas ao ar livre e no pátio do Templo.


O PENTECOSTES VEIO A UMA IGREJA EM CASA

“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados” (At 2: 1, 2).

Muitos de nós nunca consideramos o número de eventos bíblicos fundamentais que aconteceram em residências particulares.


LEMBRETES:

ü   O primeiro culto de adoração aconteceu numa casa.
ü  O primeiro culto de Ceia foi numa casa
ü  O primeiro culto de curas foi realizado numa casa
ü  A primeira ocasião de pregação do Evangelho aos gentios aconteceu na casa de Cornélio
ü  O derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes foi numa casa, e
ü  As primeiras igrejas que o Apóstolo Paulo iniciou foram todas organizadas em casas

Através dos séculos nós perdemos a vida que pode ser encontrada na simplicidade. Ao contrário, temos acrescentado coisas que retardaram o progresso e a expansão da Igreja a todas as nações.

NAS RUAS E NAS CASAS

“Eles adoravam juntos, regularmente, no Templo, todos os dias, reuniam-se em pequenos grupos nas casas para a comunhão, e compartilhavam as suas refeições com grande alegria e gratidão” (At 2: 46 – A Bíblia Viva).

A Igreja Primitiva não somente se reunia em pequenos grupos nas casas, mas também em reuniões maiores em lugares públicos. O crescimento mias rápido da Igreja acontece quando ela não usa locais formais de reunião. Por toda a história, a Igreja cresceu mais rapidamente quando ela permaneceu flexível, móvel e militante.


SAULO O PERSEGUIDOR, ATACA AS IGREJAS EM CASAS.

Saulo começou a perseguir a Igreja. Indo de casa em casa, ele arrastava os crentes e os colocava na prisão.

“Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (At 8:3).

Aonde ia Saulo de Tarso para encontrar o “o povo do caminho” a fim de arrasta-los à prisão e à morte? Ele os encontrava nas casas. Ele próprio, mais tarde, iniciaria igrejas em casas em suas viagens missionárias.


ONDE VOCÊS SE REÚNEM?

“E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e pregar Jesus, o Cristo” (At 5. 42).

Os crentes não se reuniam no Templo em si, mas nos pátios, ou perto do Templo, onde as pessoas se reuniam. Eram reuniões ao ar livre.

A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO de Lion afirma que os cristãos não tinham nenhum prédio especial, mas reuniam-se em casas particulares:

“Rústico, o Perfeito, perguntou o seguinte a Justino Mártir (100-165 d. C): “Onde vocês se reúnem?” Justino disse: ‘Onde as pessoas escolhem e podem, ou você supõe que todos nós nos reunimos exatamente no mesmo lugar? Nada disto, porque o Deus dos cristãos não está confinado (restrito) a um só lugar’.” (O grifo é nosso)


A IGREJA EM CASA QUE ABRIU O EVANGELHO ÀS NAÇÕES

“No dia imediato, entrou em Cesaréia. Cornélio estava esperando por eles, tendo reunido seus parentes e amigos íntimos. Aconteceu que, indo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se lhe aos pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu sou homem. E, falando com ele, entrou , encontrando muitos reunidos ali” (At 10: 24-27).

Esse é um bom exemplo de como iniciarmos uma igreja em casa. Alguém que esteja faminto por Deus reúne vários membros de sua família e amigos. Aí então esta pessoa pede que o homem de Deus venha e compartilhe a Palavra de Deus. Tão Simples assim!

A reunião na casa de Cornélio foi um rompimento histórico. Ela convenceu os crentes judeus que as Boas Novas eram para todas as nações, e não somente para os judeus.


A CASA DE LÍDIA FOI A PRIMEIRA IGREJA DA EUROPA
“Tendo-se retirado do cárcere, dirigiram-se para a casa de Lídia e, vendo os irmãos, os confortaram. Então, partiram” (At 16: 40).

A Igreja de Filipos foi formada na casa de Lídia. O Livro de Atos não conta como a igreja cresceu. Muito provavelmente, quando o grupo não podia mais caber na casa de Lídia, os membros formaram uma outra igreja em casa em alguma outra parte da cidade. Desta maneira eles continuaram a dividir-se e a multiplicar-se.


A CASA ALUGADA DE PAULO.

“Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo” (At 28: 30, 31).

Estas palavras finais do Livro de Atos revelam que, em Roma, Paulo usou sua casa alugada para divulgar as Boas Novas do amor de Deus.

O movimento que cresce mais rapidamente no mundo hoje começou em casas. O movimento cristão teve o seu maior crescimento enquanto os seus membros permaneceram flexíveis e móveis. Os cristãos multiplicaram-se mais quando o seu objetivo principal era os relacionamentos, e não os rituais.


DA SOMBRA À SUBSTÂNCIA

Todos os tipos e sombras do Antigo Testamento forma totalmente cumpridos em Cristo. Não precisamos mais do Tabernáculo, das vestes sacerdotais do Templo, da sua mobília, ou de nenhuma outra coisa semelhante. Cristo é tudo e em todos. Somos completos n’Ele.


Não precisamos mais de um “Lugar Santo”, como tinham os judeus. Não precisamos de um altar de incenso, da pia, dos pães da proposição, nem do Urim ou Tumim. Não precisamos das sombras, pois temos a substância – O NOME DELE É JESUS.


Analisemos agora João 4: 20-23, quando a mulher de Samaria disse a Jesus: “Nossos pais adoravam neste monte; vós entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores”.


Jesus esclareceu que DA SUA ÉPOCA EM DIANTE Jerusalém não era um lugar mais santo que Samaria. Isso se devia ao fato de que ELE HAVIA VINDO. Em sua vinda, Ele colocaria um fim para sempre na ideia de lugares santos. Isso porque Ele Próprio havia cumprido todos os tipos e sombras do Antigo Testamento.

Louvemos ao Senhor por termos sido libertos de toda escravidão referente a um lugar onde possamos adorar a Deus. Regozijemo-nos porque fomos libertos do legalismo. Somos livres para adora-Lo quando estivermos a sós ou com outras pessoas. Somos livres para adorarmos a qualquer hora, dia ou noite, em qualquer lugar que escolhermos.

NOTA DO PASTOR SANDRO GOMES:

Eis o que registra Lucas no Livro de Atos dos Apóstolos:
E Salomão lhe edificou casa; mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta.


“O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?”


Por causa dessa verdade ministrada pelo diácono ESTEVÃO perante as AUTORIDADES JUDAICAS (hoje são as sociedades secretas dos falsos judeus = sionistas), esse servo de Jesus torna-se o primeiro mártir da Igreja Primitiva.


É importante salientar que o apóstolo Paulo também enfatiza esta verdade em Atenas, em seu discurso no Areópago:


“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens” (Atos 17.24).



JESUS VEIO PARA ACABAR COM OS TEMPLOS E A CONSTRUÇÃO DELES


Vejamos o que diz ainda o escritor Ralph Mahoney, no livro O Cajado do Pastor, publicado pelo World MAP, na seção E3 / páginas 17 e 18:

Ele veio para quebrar o poder do sistema religioso de Ninrode, o qual se orgulhava muito das construções religiosas.
E enquanto alguns falavam sobre o Templo, de como era adornado com formosas pedras e dádivas, Ele disse: Quanto a estas coisas que contemplais, os dias virão em que não será deixada pedra sobre pedra que não seja derribada (Lucas 21:5, 6).

E respondendo Jesus, disse-lhes: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada (Mc 13:2).
Havia uma boa razão pela qual Jesus acabaria com os templos.

“Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra é o escabelo dos Meus pés. Onde está à casa que Me edificaríeis?” (Is 66:1)


...o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos humanas...

(At 7: 48). “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templo feito por mãos humanas” (At 17: 24).

Deus queria habitar nos corações do Seu povo. Este era o Seu plano.

“Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Co 3.16).

Deus habita em nós, e o Seu amor é aperfeiçoado em nós (I João 4: 12).

“... pois sois o templo do Deus vivo, como Deus disse: neles habitarei, e entre eles andarei, e Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo” (II Co 6: 16).

Pastor, você é como o rico insensato da parábola de Jesus? E disse: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores... (Lucas 12: 18). (O grifo é nosso).

Seja como Jesus e os primeiros apóstolos, os quais enfatizaram A MENSAGEM – E NÃO A ARGAMASSA (construções). A MENSAGEM produz corações prontos a fornecerem a Deus um lugar de habitação. A argamassa (Catedrais – Zigurates) acaricia os egos dos que constroem estas coisas.


A IGREJA EM CASAS - Perguntas e Respostas - Segunda Parte


P. Por que igrejas em casas?

R. Implantamos igrejas em casas pelas seguintes razões:

1. A nossa meta não é somente iniciarmos uma igreja. A nossa meta é iniciarmos um movimento de implantação de igrejas. Cremos que isso pode ser feito da melhor maneira, enfocando-se a forma mais simples e mais reprodutível de implantação de igrejas. A igreja em casa supre essa necessidade.

2. Cremos que o conceito de igrejas em casas é a melhor forma de treinarmos pastores e líderes.

3. A simplicidade das pequenas congregações facilita a multiplicação de congregações.

4. Deus está chamando o Seu povo a uma quebra com o tradicionalismo e o profissionalismo, e a uma volta à simplicidade.

5. Na maioria dos países hoje, essa é a única maneira de se colocar em funcionamento um movimento de implantação de igrejas. Não é possível fazermos uma IMPLANTAÇÃO DE IGREJAS POR SATURAÇÃO se estivermos pensando em termos de igreja tradicional.

P. As igrejas em casas não são a mesma coisa que as células?

R. Não. O conceito de células é o estilo da roda e a igreja em casa é o estilo da videira. Uma célula é considerada como que fazendo parte da evangelização de outra igreja, ao passo que uma igreja em casa é uma igreja em si mesma e funciona como uma igreja.


P. Como podemos desenvolver um programa de igreja completo numa igreja em casa?

R. Cremos que se enfocarmos as coisas mencionadas no Capítulo.

8. (O QUE FAZEMOS NUMA IGREJA EM CASAS?), o Senhor nos capacitará a suprirmos as necessidades de todos os indivíduos e famílias que frequentam as reuniões. O Espírito Santo é poderoso para nos tornar criativos em nossas abordagens com relação ao suprimento destas necessidades. As igrejas em casas não serão atraentes a todos. Alguns precisam frequentar igrejas com a capacidade de apresentar programas mais diversos. Não estamos em competição com outras igrejas. Estamos trabalhando juntamente com elas para ajudarmos no cumprimento da Grande Comissão.


P. E as crianças? Elas terão aulas especiais

R. Algumas igrejas em casas têm reuniões para crianças separadas dos jovens e adultos. Algumas têm todas as idades numa só reunião conjunta. É surpreendente o quanto as criancinhas aprendem pelo simples fato de estarem com os jovens e adultos no culto regular.


P. Quantas vezes por semana se reúnem as igrejas em casas?

R. Uma ou duas vezes por semana é comum, mas depende dos líderes de cada igreja em casa. Não há nada na Bíblia que diga com que frequência devemos nos reunir.


P. Sempre nos reunimos na mesma casa?

R. Nem sempre é sábio nos reunirmos na mesma casa pela seguinte razão:

1. Precisamos compartilhar com os outros a bênção de sermos os anfitriões de uma igreja em casa.

2. Mudando-se o local de reuniões de vez em quando podemos alcançar e evangelizar diferentes vizinhanças.

3. Somos mantidos em união pelos vínculos dos relacionamentos, e não pelo local de reunião. Portanto, as mudanças são uma questão de segurança.

4. Evitamos o problema das reclamações dos vizinhos por fazermos cultos religiosos em suas proximidades.


P. A ideia das igrejas em casas não abre a possibilidade de qualquer pessoa iniciar a própria igreja?

R. O Apóstolo Paulo disse em Romanos 10.15: Como pregarão se não forem enviados?

Somente os que foram enviados têm autoridade espiritual para implantarem igrejas. Até mesmo Paulo não se aventurou a sair e implantar igrejas até que tivesse sido enviado pelo Espírito Santo e pela liderança de sua igreja. (Leia Atos 13.1-4.)


P. Onde encontraremos pastores para dirigirem estas congregações?

R. As verdadeiras qualificações para os presbíteros (pastores) encontram-se em dois lugares no Novo Testamento: Tito 1.6-9 e 1 Timóteo 3.1-7. Deus já supriu muitos homens e mulheres humildes, ensináveis, e consagrados bem no meio de nossas igrejas e que são capazes de liderarem igrejas em casas. Não precisamos enviá-los para fora para serem treinados em escolas bíblicas ou seminários. O método do aprendiz é o melhor método debaixo do céu para o treinamento de pastores e líderes. Nunca houve um método melhor e nunca haverá.

P. Como podemos esperar que uma pequena igreja em casa gere uma outra igreja em casa?

R. Quando eu ainda era um adolescente o meu pastor me deu a tarefa de iniciar Aulas de Bíblia nos Lares com os idosos que não frequentavam a Escola Dominical. Não recebi nenhum ajudante ou membro com os quais eu pudesse começar essa tarefa. Recebi apenas alguns nomes e endereços de pessoas que talvez estivessem interessadas em estudos bíblicos em casa.

Durante os meses que se seguiram tive a alegria de estabelecer aulas de Bíblia em muitos lares. A minha tarefa não era somente ensinar a Palavra de Deus aos idosos, mas aprender como iniciar grupos em casas.

Isto é parte do treinamento de um presbítero. Ele recebe um território e a tarefa de iniciar uma nova igreja em casa. Na maioria dos casos ele recebe pelo menos um ou dois casais para ajudá-lo a iniciar. O ideal é que um dos casais seja de pastores em treinamento a fim de que, desde o início de uma nova igreja, haja uma visão de implantação de igrejas.

Uma igreja em casa bem pequena pode enviar dois ou três casais todos os anos para gerarem uma nova igreja.


P. Como iniciarmos uma igreja em casa?

R. Em Atos Capítulo 13, foi o Espírito Santo que enviou a Paulo e Barnabé para iniciarem igrejas. Mas Ele revelou aos líderes da Igreja de Antioquia que Ele os havia chamado para fazerem isso.
Em Atos 15.24 algumas pessoas que "saíram" sem ser "enviadas" entraram em apuros. Presumindo-se que você tenha sido enviado por uma autoridade espiritual responsável, faça com que duas ou três pessoas que ainda não estejam envolvidas numa igreja concordem em reunir-se com você regularmente para adorarem a Jesus e para caminharem em Seus caminhos, e você já terá implantado uma nova igreja.

Quando Paulo e suas equipes saíam, eles primeiramente proclamavam as Boas-Novas e, aí então, reuniam os discípulos. A reunião dos discípulos é "igreja".


P. Você está sugerindo que todos devem deixar a igreja tradicional e se tornar membros de uma igreja em casa?

R. O nosso propósito não é demolirmos nada do que Deus esteja construindo. Temos o compromisso de abençoarmos e ajudarmos a todas as igrejas, de todas as cidades, pequenas ou grandes, denominacionais, não-denominacionais, ou inter-denominacionais.

Não competimos com outras igrejas. Estamos simplesmente apresentando uma expressão válida de "igreja" que se baseia na Palavra de Deus e que tem provado ser eficiente, tanto na Igreja Primitiva, como nas igrejas atuais.

Não estamos dizendo que Deus está chamando todo o Seu povo de todos os lugares a estar fazendo exatamente a mesma coisa. A Igreja de Jesus Cristo é impressionantemente flexível e versátil em suas muitas expressões, quando não é limitada por regras rígidas e inflexíveis.


P. As igrejas em casas têm de pertencer a uma denominação?

R. Em primeiro lugar, todas as igrejas em casas de qualquer cidade pertencem à Igreja, o Corpo de Cristo daquela cidade. Uma igreja em casa pode pertencer a uma denominação, mas suas ligações com essa denominação não devem interferir com o seu compromisso e relacionamento com o Corpo de Cristo daquela localidade.

O maior desafio de qualquer igreja é a manutenção da unidade dentro do mais amplo Corpo de Cristo na cidade em que moramos e servimos. (Veja o Capítulo 7)


Há muitas outras questões que poderiam ser perguntadas sobre as igrejas em casas, mas a mais importante é: "Senhor, o que Tu queres que eu faça para ajudar no cumprimento da Grande Comissão? Será que eu deveria estar envolvido na multiplicação de igrejas em casas em meu país e em todo o mundo?"
Há muitas maneiras de implantarmos novas igrejas e, desta forma, ampliarmos o Reino de Deus sobre a terra. Aceitaremos e não criticaremos as várias maneiras pelas quais o povo de Deus está tentando implantar igrejas. O meu propósito é tocar a trombeta para iniciarmos igrejas em casas.

Dizemos a vocês VENHAM E AJUDEM-NOS! Estamos entusiasmados com relação à multiplicação de igrejas em todos os países e grupos étnicos a fim de "que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações" (Lc 24.47).


A minha firme convicção é que já existe agora um movimento de igrejas em casas a todo o vapor em todos os países da terra. Creio que esta é a única maneira pela qual veremos o cumprimento da Grande Comissão.

Isso já está começando a acontecer. Deus está falando sobre as IGREJAS EM CASAS a pessoas de toda parte. O alicerce foi colocado nos últimos vinte e cinco anos através da aceitação mundial do movimento de células.

Alguns de nós temos idade suficiente para nos lembrarmos de quando era altamente questionável o início de um grupo em casa de qualquer tipo, ou de qualquer outra coisa fora dos próprios prédios de igreja. Havia um temor muito grande de que isso afastaria as pessoas da "igreja". Agora, esses grupos são muito desejáveis, e considerados como uma forma de crescimento da igreja.

Deus está nos chamando para darmos mais um passo e reconhecermos que podemos de fato ter uma igreja , no sentido mais amplo da palavra, numa casa.

Algumas das maiores congregações do mundo hoje tiveram seu início numa casa. Quando se tornaram uma igreja? Será que eram igrejas quando tinham dez membros e se reuniam numa casa? Ou será que eram igrejas somente quando tinham mil membros? Será que se tornaram igrejas quando se reunião num prédio especialmente projetado para isso e chamado de "igreja"?

A resposta é óbvia. Eram igrejas quando começaram nas casas. Se tivessem continuado a ser reunir em casas, teriam continuado a ser igrejas.

Deus está sacudindo e mexendo em nossas atuais estruturas de igreja e levando-nos de volta ao básico. A maior parte do que chegamos a considerar agora como sendo essencial na verdade não é absolutamente essencial.

Quando olhamos para a simplicidade da Igreja do Novo Testamento e a comparamos com a Igreja institucionalizada de nossos dias vemos pouca, ou nenhuma semelhança.

A Igreja em alguns países é mais semelhante a uma corporação. Algumas denominações são enormes redes, que, em muitos casos, são governadas politicamente, em vez de serem governadas por uma autoridade espiritual ordenada por Deus. Isso tem causado um incomensurável desastre e divisões durante centenas de anos. Que Deus nos dê a revelação, a humildade, e a graça para admitirmos o quanto nos afastamos da simplicidade e da pureza da Igreja do Novo Testamento. Em seguida, vamos voltar a essa simplicidade e pureza com quebrantamento e arrependimento.


BIBLIOGRAFIA
Revista Atos – abril/maio/junho 2002 - Volume 17 / Número 2 O Cajado do Pastor - Edição
Português / Ralph Mahoney – CA – EUA: World MAP, 1998
Bob Fitts - Revista Atos - ABRIL/MAIO/JUNHO 2002).




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