Desigrejados x Igrejados

DESIGREJADOS, entendimento distorcido.

Desigrejados? Que palavra é essa? O que ela quer expressar?

Desigrejados é uma palavra nova que seguidamente podemos encontrar em alguns sites, artigos e também em alguns livros e revistas de caráter teológico.

Quem a criou eu desconheço, o que observo é que ela aparece sempre em um contexto que relaciona os cristãos que deixaram de estar vinculados a uma instituição comumente chamada de igreja (denominação).

A partir desta constatação, vejo que existe um erro conceitual gravíssimo diante daquilo que a própria palavra desigrejados possa significar.

A priori, quando se fala sobre igreja geralmente a grande maioria das pessoas a entende como um local, isso porque que nascemos e crescemos vendo uma estrutura religiosa e um local físico sendo chamado de igreja.

Dessa forma não é de se estranhar ouvirmos expressões como: qual a sua igreja, onde fica a sua igreja, ir à igreja, abrir uma igreja, construir uma igreja, pregar na igreja, está afastado da igreja, dentre tantas outras sempre se referindo a igreja como um local.

A verdade é que com o tempo o termo igreja foi agregando significados e até foi tomando, de forma sutil, o lugar do termo cristianismo.

Dessa forma, a instituição religiosa começou a ser identificada como confissão de fé, seja ela católica ou protestante, dando origem assim ao que chamo cristianismo denominacional.

O Cristianismo denominacional surge quando as instituições religiosas tomaram para si a autoridade dada à Igreja, expressando suas doutrinas, liturgias e práticas religiosas que as diferenciam uma das outras como resultado de conflitos de interpretações teológicas.

Muitos são os usam o argumento em dizer que a igreja é um “organismo vivo”, mas na prática vive um cristianismo hierárquico e institucionalizado.

Assim, vejo que primeiramente devemos entender que o problema não é o local, pois inevitavelmente a igreja se reunirá em algum espaço, o problema está em tornar um local (templo, prédio, casa, salão), como sendo “Igreja”.

Creio que a palavra “desigrejados” tenha surgido do fato de se ter atribuído a um espaço físico (principalmente o templo) a designação de igreja.

Esse entendimento distorcido tem taxado como desviados todos aqueles que não frequentam um local chamado de “igreja” e suas reuniões regulares, o que inevitavelmente colocará o limite dos que estão e dos que não estão fazendo parte da igreja cristã.

Essa realidade não expressa o verdadeiro sentido de igreja e muito menos poderá chamar de desigrejados aqueles que estão fora do sistema religioso institucionalizado.

Se recorrermos as Escrituras Sagradas não vamos encontrar fundamentação que nos autorize dizer que para sermos discípulos de Cristo (Cristãos) ou que para fazermos parte de sua Igreja (Corpo de Cristo) devemos fazer parte do rol de membros de uma denominação.

Essa visão tem limitado a salvação em Cristo, vinculando o “estar em Cristo” a estar entre quatro paredes de um templo ou estrutura física.

O fato de alguns estarem fora dos limites das instituições religiosas não quer dizer que estejam longe e afastados de Deus.

Fonte: http://www.comunidadeicthus.com/news/desigrejados-


O chamado fenômeno dos "desigrejados" tem crescido muito no Brasil. Além de comunidades e congregações cristãs de perfil mais alternativo, aumenta sem parar o número de grupos de crentes que, por afinidade etária, cultural ou outros interesses comuns - como aquela crítica à qual já nos referimos - preferem congregar apenas entre si, nas próprias casas ou em espaços que nada têm a ver com o modelo convencional de igreja. Esse crescimento é atestado pela quantidade de livros e teses sobre o assunto e pelos debates que têm provocado. Como o senhor enxerga o ganho de espaço por parte deste movimento e no que ele representa uma “ameaça” à hegemonia das igrejas convencionais?

Resposta: 

Os "desigrejados" que se reunem em pequenos grupos de amor são de fato os igrejados. Desigrejado, do ponto de vista do Evangelho, é esta massa levada pelo sistema perverso das instituições das franquias de "Deus", e que se tornaram piores para o Evangelho dos os demônios e o diabo. As "igrejas/agremiações" continuarão... por Caio Fabio


DESIGREJADO SIM, DESVIADO NÃO!


D

evido à preconceitos, mal-entendidos, interpretações dúbias, subentendimento... Busco neste artigo, apresentar de forma clara e simples a significação do que entendo ser um “desigrejado” (termo eclético, que podemos definir como sendo pessoa ou grupo de pessoas que participam de movimentos “Para-eclesiásticos”, e que não possuem vínculo institucional com nenhuma entidade religiosa, por entenderem que não somos chamados para “estar em uma igreja”, mas para “ser Igreja”).


Primeiramente, para que tenhamos uma melhor compreensão do assunto, como o próprio título do artigo propõe, o “desigrejado” não é um “desviado”, antes, é um cristão, que, em um dado momento, foi um “igrejado” e que não suportando mais compactuar com certo tipo de estelionato travestido de Evangelho, optou em expressar sua fé em Jesus Cristo de uma forma simples e sem a estrutura e sofisticação de uma instituição denominada igreja.


Assim, ser “desigrejado” não é o mesmo que ser “desviado”. O desviado seria aquele que não apenas deixou a igreja, mas afastou-se do próprio Cristo, voltando às práticas pecaminosas que antes dominavam sua vida. Já o desigrejado não pretende afastar-se de Cristo, nem de Seus ensinamentos, mas tão-somente da máquina eclesiástica. Estes podemos dizer que são os verdadeiros desigrejados, que não fazem parte de uma igreja, mas desejam fazer.


É crescente o número de pessoas que se intitulam desigrejadas, isto é uma realidade. Enorme massa de crentes deixa, a cada dia, os currais denominacionais, onde muitas delas estão desiludidas pela perversão institucionalizada. Com isso, não quero afirmar que toda instituição religiosa (que se denomina ‘igreja’) está pervertida, pois sei que existem algumas instituições religiosas, sadias, voltadas na simplicidade do Evangelho.


Portanto, os desigrejados não estão abandonando a Igreja, como se alega, e sim as estruturas denominacionais que se intitulam “igreja”. A Igreja de Cristo não é e nunca foi batista, metodista, presbiteriana, católica, pentecostal... O problema é que – as igrejas – estão mais preocupadas em preservar os odres do que o vinho.


Alguns “igrejados” me questionam do porque em afirmar ser um desigrejado, insistindo que deveria freqüentar “templos” que chamam de “igreja”; porém, isto é ensinamento bíblico? A questão é nevrálgica... Fora da “igreja” há Salvação? Respondendo a esta pergunta, a Salvação não está entrelaçada a qualquer instituição humana. A Salvação é obtida através de atributos eternos e comunicáveis a nós através da Graça, como a fé e o amor. 

O que a Bíblia fala a respeito do assunto? Antes gostaria de fazer algumas considerações. A grande verdade da existência da Igreja é o Seu fundador, Jesus Cristo, a pedra que sustenta o edifício espiritual do Reino de Deus. Portanto, a expressãoekklésia (do grego Ek+Kaleo, que significa igreja), nada tem haver com prédios, templos ou coisa parecida. Tem haver sim, com comunidade, os chamados para fora. Não existe nenhuma analogia entre o Templo em Jerusalém e os prédios (templos) de igrejas locais. A história de Constantino (285-337) abre uma página tenebrosa na história da cristandade, foi ele quem iniciou a construção dos edifícios (templos) eclesiásticos.

Biblicamente não há qualquer ensinamento de que devemos fundar ou construir “igrejas físicas”, mas, há o ensinamento de que devemos nos reunir “como Igreja” independente do local. A isso, a Bíblia chama de “congregação dos Santos” (Hebreus 10), sendo esta a união de todos aqueles que professam o nome do Cordeiro de Deus sobre a face da terra, com um só propósito, adorar a Deus em espírito e em verdade (Jo 4.20-23), vivendo em comunhão, mesmo não se conhecendo, mas orando uns pelos outros. Essa última compreensão “de adoradores que adoram em espírito e em verdade”, juntamente ao dito de Jesus de que “onde dois ou três estiveram reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18.20), fundamentou a eclesiologia cristã: a “igreja” não é um edifício, mas o povo reunido em nome de Jesus, o Cristo.

O único objetivo da Igreja, não é atrair pessoas para ela, mas conduzir pessoas a Jesus. Em linguagem bíblica, o objetivo da Igreja é sustentar o testemunho de Jesus (Atos 1.8), para que todos possam vê-Lo, que todos possam ver a Luz.

O moderno sistema denominacional aceita a divisão do corpo de Cristo. Muitos cristãos crêem que as denominações nos protegem do erro. Mais isto é uma ilusão. A “cobertura denominacional” está edificada sobre a idéia de que seu pertenço a uma denominação cristã, estou de alguma forma magicamente “coberto” ou “protegido” do erro. O fato dos membros do sistema denominacional rotineiramente se extraviarem é prova de que tal idéia é uma farsa. A noção de que “estou coberto” porque presto contas a algum indivíduo ou a alguma organização remota (como a igreja católica Romana presta ao Papa) é pura ficção. A única proteção do erro está na submissão ao Espírito da verdade no Corpo de Cristo (1Jo 2:20,27). A idéia de Deus referente à responsabilidade de prestar contas vai de pessoa para com o grupo de crentes, não de pessoa para pessoa. A proteção espiritual vem de nossa relação com o Espírito e de nossa conexão com os outros cristãos. Aqui está a raiz da natureza da comunidade cristã.

Para finalizar, acredito que todo desigrejado não seja contra a “igreja física”, pelo menos, não o sou, mas, existe em cada um o desejo ardente de uma forma mais pura de servir a Deus e ao próximo, como na forma original, que nasceu organizada e estruturada através dos Evangelhos e nos demais testemunhos do Novo Testamento.


Sola Christus!


Fontes:
- http://conexaodagraca.blogspot.com;
- http://www.slideshare.net/EscrituraEmFoco/desigrejados-ou-desviados;
- http://www.genizahvirtual.com/2010/06/desigrejados-sim-desviados-ao.html#ixzz1TnTeXAkv;
http://www.genizahvirtual.com/2010/12/desigrejados-desviados-e-evangelicos.html#ixzz1MNXvCIOR;
- http://www.guiame.com.br/v4/blog_bruno/126551-1608--quot-Desigrejados-quot-Os-que-est-o-fora-querendo-estar-dentro-.html;
- http://tempora-mores.blogspot.com/2010/04/os-desigrejados.html;
- http://jesusmaioramor.blogspot.com/2011/07/ser-desigrejado-e-ser-contra-os-que.html;
- http://www.pulpitocristao.com/2010/05/sobre-igrejados-e-desigrejados-uma-opiniao-franca/;
- http://www.ogalileo.com.br/cristianismo/artigos/e-possivel-viver-o-evangelho-sem-se-envolver-com-estruturas-eclesiasticas.

Acesse a postagem original em: http://teologiadacidade.blogspot.com/2011/08/desigrejado-sim-desviado-nao.html#ixzz3jPbRWL44


Os Desigrejados
Escrito por Rodrigo Rezende


Hoje recebi mais uma pesquisa falando sobre o crescente número de evangélicos sem vínculos com igreja. Já tinha visto a pesquisa do pessoal do Genizah (muito boa) e agora foi na Folha.

Há algum tempo eu estou pensando em escrever sobre esse tema, mas ainda não tinha entendido que era a hora. Acredito que agora seja a hora, por isso vou compartilhar um pouco do que tenho entendido sobre isso.

Para alguns eu sou um desigrejado. Confesso que a principio gostei do termo, porque estou cansado dessa institucionalização da igreja de Cristo, que cria estruturas denominacionais com o fim de manter a própria estrutura e não a igreja. Mas não acredito que eu seja um desigrejado no sentido epistemológico da palavra “sem igreja”, pelo contrário, agora, acredito que estou mais igrejado do que nunca.

Eu fui pastor batista por 4 anos até que entendi do Senhor que deveria caminhar de uma forma mais simples, com menos burocracia e menos institucionalizada. Mas isso foi o que Deus falou para mim, tenho muitos amigos, e o meu próprio pai, que ainda são pastores batistas, homens de Deus, que não entendem dessa forma. Acredito que Deus chama cada um para uma obra especifica.

Desde então tenho caminhado com alguns irmãos de uma forma mais simples, reunindo em casas, mas não deixando de amar todos os nossos outros irmãos espalhados pela terra que reúnem de forma diferente. Afinal é só uma forma.

Para alguns, pelo fato de não termos nome, ou de não estarmos ligados a uma denominação, somos desigrejadosDesinstitucionalizados sim, desigrejados jamais, desviados nunca. Somos a igreja de Cristo “juntamente com todos os que, em toda parte, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.” (1Co 1.2)

O fato de entendermos que somos uma igreja só não significa que temos que reunir no mesmo lugar. Creio que Deus dá dons a cada um para uma obra especifica. Sei que a igreja de Cristo da qual faço parte não vai alcançar alguns tipos de pessoas, para isso existem outros irmãos com formas diferentes para alcançar aqueles que nós não conseguimos alcançar. Mas somos um só corpo, o corpo de Cristo do qual ele é o cabeça.

Essa semana li um texto, muito bem escrito pelo Dr. Augustus Nicodemos (aqui) falando sobre esse assunto. Alguns pontos, descritos por ele, sobre o pensamento daqueles que se denominam desigrejados estão listados abaixo.

1. Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.

2. Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas, inventando ofícios para substituir os carismas, elaborando hierarquias para proteger e defender a própria instituição, e de tal maneira se organizaram que acabaram deixando Deus de fora. Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do cristianismo por Constantino, a igreja corrompeu-se completamente.

3. Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas, sistemas interligados de hierarquia e processos de manutenção do sistema, como a disciplina e a exclusão dos dissidentes, e ao elaborarem confissões de fé, catecismos e declarações de fé, que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.

4. A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.

5. De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que crêem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18.

6. A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho. Precisamos sair dela para podermos encontrar a Deus.

Devo ser sincero e dizer que acredito em quase todos esses pontos. Mas não aceito a pessoa que diz não precisar da igreja. Nós somos a igreja e precisamos uns dos outros para edificação do corpo (Ef 4). Não devemos deixar de reunirmos como igreja (Hb 10.25). Alguns usam a desculpa dos erros que a igreja institucional comete para não ter compromisso com o corpo e isso é rebeldia e não igreja de Cristo.

Acredito que a grande confusão está no entendimento do que é igreja. Não soudesigrejado porque sou igreja, mas não sou institucionalizado porque sei que posso ser igreja em qualquer lugar, e não somente em um local específico (apesar de não ter nada errado em ter um lugar). Posso ser igreja em qualquer dia, e não somente aos domingos (apesar de não ter nada errado em se reunir no domingo), posso ser igreja sem precisar de dinheiro, posso ser igreja sem precisar de rol de membros, posso ser igreja sem precisar de seminário (apesar de ter estudado em um e ser muito abençoado lá).

Todas essas coisas são boas, mas não são igreja. Igreja são os salvos pela graça, reunidos ao redor do nosso Senhor e mestre Jesus, seguindo os seus passos e amando a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Simples assim!

Não podemos usar essas coisas como muleta. Se não existir nenhuma dessas coisas ainda serei igreja? Cristo é suficiente para mim? Ou eu preciso de um local fixo, de um clero, e etc. Podemos ter as coisas, a diferença é como as usaremos.

A igreja não existe por si só, o corpo não pode viver sem a cabeça, que é Cristo. Antes de ser membro de uma instituição a pessoa precisa ser membro da igreja, e quando isso ocorre? No momento de sua conversão. A pessoa pode não ter o nome em um rol de membros e ser membro da igreja de Cristo, como pode ter o nome no rol de membros e não ser membro da igreja de Cristo.

Que sempre nos lembremos que a videira é Jesus e não a igreja. Precisamos estar alicerçados na videira, e em estando na videira estaremos, consequentemente, alicerçados na igreja de Cristo.

Ainda assim acredito, agora mais do que nunca, na igreja de Cristo, pois ela é a noiva do Senhor. Não essa caricatura institucionalizada, mas a verdadeira e gloriosa igreja de Cristo, pois esse é o plano de Deus, a forma que deixou para que vivêssemos aqui, cumprindo a sua missão enquanto aguardamos a sua volta.

Não sou desigrejado, mas não vou mais a igreja. Como? É simples, eu sou a igreja.

Por seu Reino!

Rodrigo Rezende

Fonte: http://prrodrigorezende.blogspot.com.br/2011/08/os-desigrejados.html

Quer saber mais sobre o assunto? Acesse:

http://igrejanoslaresemaltinho.blogspot.com.br/2015/08/desigrejado-sim-desviado-nao.html

http://prrodrigorezende.blogspot.com.br/2011/08/os-desigrejados.html

http://osdesigrejados.jimdo.com/

http://desigrejado.blogspot.com.br/


A nova reforma Protestante – Reportagem de capa da revista Época




Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.
(Revista Época de 9/agosto/2010.)
Irani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro na última pág.). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.
Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”
Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”
Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”
Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”
No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”
Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.
Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.
O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”
A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”
Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.
Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.
O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”
A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”
Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”
O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.
Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ouCristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.
A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”
Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.
A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.
O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie,Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”
A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.
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Folha de São Paulo: Sobe total de evangélicos sem vínculos institucionais

folhaO número de evangélicos que não mantêm vínculo com nenhuma igreja cresceu, informa reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo. 1
Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, eles passaram de 4% do total de evangélicos em 2003 para 14% em 2009, um salto de 4 milhões de pessoas. Os dados do IBGE também confirmam tendências registradas na década passada, como a queda da proporção de católicos e protestantes históricos e alta dos sem religião e neopentecostais.
No caso dos sem religião, eles foram de 5,1% da população para 6,7%. Embora a categoria seja em geral identificada com ateus e agnósticos, pode incluir quem migra de uma fé para outra ou criou seu próprio “blend” de crenças – o que reforça a tese da desinstitucionalização.
NOTAS:
  1. Antônio Gois e Hélio Shwartsman. Sobe total de evangélicos sem vínculos institucionais. Folha de São Paulo. 15 de agosto de 2011. Acesso 14 de setembro de 2014. Disponível em http://goo.gl/8oxXWR↩

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