O Dízimo

Os cristãos não tem autoridade bíblica para fazê-lo. Apesar deste ser um assunto polêmico, num primeiro momento, não vamos decorrer por todos os pormenores, então com base no que você aprendeu sobre dízimos, reflita sobre o seguinte:
- Dízimo fez parte de uma aliança(Velho testamento) a qual o povo não permaneceu. Hebreus 8:9
- Dízimos deveriam ser levados a casa do tesouro(Malaquias 3:10), e só poderiam ser administrados por sacerdotes de ordem Levítica(Números 18), no entanto ambos(o edifício e o ofício) deixaram de existir com a chegada da nova aliança. O templo(a casa do tesouro) foi derrubado(Lucas 21:6) (70 d.C.) e assim o sacerdócio Levítico deixou de existir. Desde então os judeus(povo que recebeu a ordenança sobre dízimos)jamais pode dizimar novamente, e tem sido assim até os dias de hoje. 
- Jesus mencionou o dízimo apenas em um momento citado nos evangelhos de Mateus e de Lucas(Mateus 23:23 Lucas 11:42) onde estava a exortar aqueles que se gabavam por dar o dízimo até mesmo da hortelã, no entanto esquecendo do principal que é a misericórdia e a fé(lembrando que dízimo nunca foi referência a dinheiro), mas Jesus jamais instruiu seus discípulos à esta pratica. Ele mesmo, sendo da tribo de Judá, não poderia administrar dízimos. De fato esta pratica teve seu fim decretado no exato momento do ato consumado na cruz(João 19:30). Desde então(na Nova Aliança) você não encontrará uma única citação bíblica apoiando a pratica do dízimo. Paulo, na carta aos Hebreus, menciona o dízimo de Abraão à Melquezedeque(feito uma única vez)como parte de seu ensino, usando o mesmo, como analogia à sombra, que ele sabiamente atribuiu a antiga aliança.

Como você pode ver fica fácil entender quem realmente está roubando a Deus, quando exige dízimo e o desvia de seu propósito, pois jamais atendem a razão pelo qual o mesmo foi instituído por Deus, que é assistir aos pobres, órfãos, viúvas, estrangeiros em suas necessidades. Atualmente os pobres não tem vez nos templos modernos. Não há bênção alguma para eles nestes lugares, pois não podem pagar por elas!

Por fim, entenda que Deus não enviou seu Filho para morrer naquela cruz pensando em receber 10% do seu dinheiro para proteger seus bens materiais inúteis! Sua vida vale mais que o mundo inteiro, Ele quer o teu tudo, Ele te quer por inteiro, qualquer coisa menos que isso deixa claro que você entendeu muito pouco sobre a cruz. 

O dízimo findou juntamente com a antiga aliança! Hebreus 8:13


O dízimo e a Igreja gentílica
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As lentes teológicas pelas quais lemos certos textos está embaçada, na melhor das hipóteses, e totalmente riscada na pior delas. Em minha interpretação, o versículo não diz exatamente aquilo que muitos pensam que ele diz. Já vi pregadores usarem esta passagem para provar que a Igreja neotestamentária recolhia dízimos, assim como você parece crer. Entretanto, não penso que isto seja o que a passagem nos demonstra. Analisemos a Escritura:
@4ms: Em um de seus artigos você alega que o dízimo não era uma prática da Igreja gentílica. Como você interpreta 1a Corintios 16:2?
Obrigado por sua pergunta.
Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for. E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes. (1 Coríntios 16:1-3)
Observe que Paulo se refere aqui a uma oferta voluntária e não ao recolhimento de dízimos.
Em primeiro lugar, a oferta em questão sequer seria recebida pela Igreja local ou pelos presbíteros. Os santos deveriam juntar este dinheiro em suas próprias casas e quando Paulo chegasse em Corinto entregar-lhe a oferta em mãos.
Em segundo lugar, a oferta tampouco se destinava à Igreja local, e sim à Igreja em Jerusalém em função da calamidade pública que afligia os santos na ocasião. Era uma oferta circunstancial, ou seja, em função da necessidade. Não se trata de um imposto religioso de caráter compulsório.
Paulo em momento nenhum usa a palavra “dízimo” na passagem, e sim a expressão “conforme à sua prosperidade”. O apóstolo não estipula nesta passagem, nem em nenhuma de suas cartas, um percentual fixo para a contribuição, mas deixa à consciencia individual para decidir o valor da oferta de acordo à sua capacidade financeira.
Assim, o texto acima não prova que os santos da Igreja primitiva dizimavam, somente que ofertavam de acordo à necessidade dos irmãos, uma prática encorajada e praticada entre as igrejas caseiras. Permita-me esclarecer que estou disposto a crer (ainda que as Escrituras não nos digam) que havia, na Igreja gentílica, pessoas que usavam o percentual de 10% como referência para ofertar na Casa de Deus, de forma voluntária. Mas minha crença vai até aí. Não encontro base bíblica para afirmar nada que vá além disso.
Entendamos que os gentios nasceram fora do sistema sacerdotal-templocêntrico veterotestamentário. Não havendo templos nem casta sacerdotal a serem mantidos, a razão de se cobrar o dízimo obrigatório cessou. Além disso, nos outros dois artigos que escrevi a respeito do dízimo, procurei demonstrar biblicamente, entre outras coisas, quatro pontos que são fundamentais em nosso entendimento desta questão:
1) O dízimo não era cobrado em dinheiro, somente em lã e frutos da terra. Assim:
2) O dízimo somente era cobrado dos donos de terras e de rebanhos. Portanto, nem mesmo  no sistema judaíco de templos e castas sacedotais, os carpinteiros (como Jesus), pescadores (como alguns dos 12) e fazedores de tenda (como Paulo) estavam obrigados a dizimar perante a Lei, somente a pagar o imposto do templo (algo bem distinto do dízimo).
3) No sistema de dízimos da Tanach (ou Antigo Testamento) os ricos dizimavam e os pobres eram beneficiários, não contribuintes.
4) A Igreja primitiva gentílica, fora dos arraiais do judaísmo, não dizimava, somente ofertava conforme a necessidade, algo que não somente a Bíblia demonstra, mas que Pais da Igreja como Tertulianoensinavam e a História dos seis primeiros séculos da Igreja confirma.
Todos os pontos acima são explicados, com suas devidas referências, em meu artigo “O Dízimo na Bíblia e na História.”
© Pão & Vinho
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