Igreja Primitiva

Quatro Características Marcantes da Igreja Primitiva


A igreja primitiva possuía quatro características marcantes, que dificilmente são encontradas nas igrejas modernas, a não ser em algumas igrejas nos lares. A igreja do Senhor Jesus Cristo, como organismo espiritual, tinha as seguintes características principais:


Sempre manifestava em seu estilo de vida, a autoridade e a liderança de Jesus Cristo, opondo-se à liderança humana. Jesus Cristo é o centro e a autoridade única na igreja;
Ela sempre permitia e encorajava a participação de cada membro nas reuniões. Cada pessoa era um membro do Corpo, participava ativamente nas reuniões da igreja; cada crente era um sacerdote real. Cada crente edificava a igreja, contribuindo com seus dons naturais e espirituais (veja I Coríntios 14.26-27);
A igreja no primeiro século vivia, na prática, a teologia expressa no Novo Testamento.
Ela refletia o amor e relacionamento que existem na Trindade Divina.
A Hierarquia é uma coisa estranha na igreja. Uma aberração. Ela foi copiada dos romanos e inserida na igreja, no quarto século. Já na segunda metade do Século II, percebe-se, pelas cartas patrícias, as influências da civilização Greco-Romana na organização da igreja. A igreja tem somente um cabeça - Jesus Cristo. Os homens e mulheres são membros do Corpo. E todos os membros recebem ordens diretas da cabeça (cérebro), por meio do sistema nervoso. Em um corpo, nenhum membro manda em outro. Na igreja do Senhor Jesus Cristo, ele é o cabeça; os cristãos são membros que recebem ordens dele, por meio do seu "sistema nervoso", que é o Espírito Santo. Outra forte metáfora do significado da igreja é a família. Os cristãos são chamados para ser irmãos. Mesmo os irmãos mais velhos em uma família não têm autoridade sobre os mais novos. São iguais entre si, em termos de importância e de acesso ao pai. Na família de Deus, a única autoridade é Cristo. Os cristãos são todos irmãos e irmãs.

Todos os cristãos são sacerdotes reais. As funções de cada um são diferentes, relacionadas aos seus respectivos dons e talentos, mas todos ministram diretamente ao Senhor, sem intermediários (1 Timóteo 2.5).

Quanto ao aspecto participativo, o contexto de I Coríntios 14.26-33 só pode ser praticado em pequenos grupos. Uma igreja tipo auditório inviabiliza a participação de cada membro nas reuniões de adoração da igreja. A igreja institucional, com seu culto típico, é uma agressão ao "DNA" da igreja, pois impede a participação de todos. Somente em igrejas nos lares é possível a todos participarem.

O Novo Testamento nos foi dado como diretriz para a igreja em todos os tempos. A igreja de hoje não pode descartar as práticas e a vida da igreja neo-testamentária, como se fossem coisas do passado.

Na Trindade Divina há um relacionamento que se refletia na igreja primitiva e deve se refletir na igreja hoje e sempre. As três pessoas de Deus se amam e são iguais entre si em autoridade (não há hierarquia entre eles). Os irmãos também devem rejeitar a hierarquia entre si (abolir "cargos e/ou títulos eclesiásticos"), e amar uns aos outros, expressando isto em ações e palavras.

Se hoje, uma comunidade quer ser uma igreja (de verdade), precisa ter essas características.

Marcio Rocha
Postado por Marcio Rocha às 10:04 Nenhum comentário:
Marcadores: Natureza ou essência da igreja
QUINTA-FEIRA, 22 DE JANEIRO DE 2009
A Liturgia das Reuniões da Igreja Primitiva


O que a igreja fazia em suas reuniões nos lares? Como era a programação, ou a liturgia?
Impressionantemente, não há no Novo Testamento nenhuma liturgia descrita ou indicada, nem mesmo um padrão ritualístico que possa ser imitado. Sabemos pelo livro de Atos que eles comiam juntos em suas casas e que “partiam o pão”. Além disso, sabemos que oravam e estudavam a “doutrina dos apóstolos”. Mas, não sabemos se comiam no começo das reuniões, no meio ou no fim delas, nem se o momento do estudo bíblico era antes ou depois das refeições ou das orações.

A melhor pista que temos a respeito do que acontecia nas reuniões das igrejas do primeiro século é encontrada em 1 Coríntios 14.26-33, que diz:

“Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em uma língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja. Se, porém, alguém falar em língua, devem falar dois, no máximo três, e alguém deve interpretar. Se não houver intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.
Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito. Se vier uma revelação a alguém que está sentado, cale-se o primeiro. Pois vocês todos podem profetizar, cada um por sua vez, de forma que todos sejam instruídos e encorajados. O espírito dos profetas está sujeito aos profetas. Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz.”

Nesta passagem, dá para sabermos o que acontecia nas reuniões das igrejas bíblicas. Cada pessoa podia compartilhar, durante a reunião da igreja, um salmo (uma música), uma palavra de instrução, ou uma revelação (ou profecia). Como ainda não havia presbíteros naquela igreja à época que Paulo escreveu esta carta, ele recomendou que todos os que não eram profetas deviam julgar as profecias dadas pelos que tinham este dom, para que não ocorressem profecias falsas. Um irmão poderia dar uma palavra em uma língua estranha, desde que fosse acompanhada pela adequada interpretação. Cada um podia usar seus próprios dons nas reuniões da igreja! E todos os irmãos deveriam participar, sendo um de cada vez, com ordem, conforme a orientação do Apóstolo, “pois Deus não é Deus de confusão”.

Um quadro bem diferente do que se vê nas congeladas liturgias das igrejas chamadas de históricas, ou nas liturgias tipo “feira-livre” das igrejas ditas pentecostais.

O que acontecia primeiro? Bem, se esta passagem expressa uma liturgia da igreja primitiva, uma seqüência de ações que aconteciam de forma padronizada nas reuniões das igrejas, a liturgia era:

1. Músicas ou poesias. Cânticos eram entoados por alguns irmãos ou poemas eram declamados, enquanto os outros ouviam.
2. Pregações ou estudos bíblicos diversos. Ministrados por quaisquer irmãos que tivessem algo a compartilhar, e não só pelos presbíteros-pastores ou diáconos.
3. Profecias. Duas ou três pessoas a cada reunião, dotadas com o dom espiritual da profecia, podiam profetizar, uma após a outra. E os outros precisavam julgar o conteúdo das profecias dadas (talvez como os Bereanos faziam, auditando-as segundo as Escrituras!).
4. Línguas. Os que tinham o dom espiritual de falar outras línguas, faziam uso dele, se, e somente se, tivesse quem as interpretasse.

Antes ou depois dessas coisas, talvez fossem realizadas as refeições e as orações. Em algum momento da reunião, também ocorria o recolhimento de ofertas para os necessitados e para o sustento dos apóstolos-missionários.

Que liturgia fantástica! Uma pessoa incrédula que visitasse uma igreja que se reunisse assim, ficaria impressionada (ou escandalizada)! Ou se converteria ou odiaria de vez os cristãos.

Por outro lado, caso a passagem não expresse uma liturgia fixa, temos aí listadas apenas as suas práticas, que podiam ocorrer em ordens variadas nas reuniões. Se era assim, nenhuma reunião era igual à outra, em termos de liturgia. E mais, talvez não aconteciam todas essas práticas em todas as reuniões.

Assim, apesar de organizada, ou a igreja primitiva não tinha uma liturgia pré-fixada para suas reuniões, ou ela tinha uma liturgia bastante flexível e, principalmente, completamente participativa.

Não há uma só indicação, no Novo Testamento, da liturgia engessada como vemos nas igrejas institucionais de hoje. Essas liturgias são mais ou menos assim:

· Oração inicial – feita por uma “autoridade eclesiástica” do “clero”.
· Música – dirigida pelos “ministros de música”;
· Recolhimento de ofertas e dízimos – feito geralmente pelos diáconos;
· Oração de consagração pelas ofertas e dízimos – feita por autoridades da igreja;
· Pregação do sacerdote ou pastor;
· Apelo;
· Ceia do Senhor (em alguns dias), cujos elementos (pão e vinho) são primeiro consagrados por presbíteros e depois distribuídos também por eles. Nas igrejas católicas, a distorção neste ponto é ainda maior.
· Cântico final – dirigido pelo pastor.
· Oração final (geralmente de bênção “apostólica”).

Como se chegou a este tipo de liturgia? Isto não dá para abordar neste artigo. Aliás, não preciso escrever sobre isto. Leia o livro Cristianismo Pagão de Frank Viola e você descobrirá[1]. Mas é visível a diferença litúrgica entre as participativas e vibrantes reuniões da igreja primitiva nas casas e das seletivas e congeladas reuniões das igrejas de hoje, nos templos. Se um cristão primitivo viajasse no tempo e chegasse numa igreja de hoje, teria um ataque nervoso. Talvez, tomasse a palavra do pastor ou do padre e, aos gritos, chamasse a atenção de todos para voltar às origens, em nome de Jesus.

Somente uma pequena parte das pessoas na moderna igreja institucional atua nas suas reuniões – o “clero”, enquanto a maior parte das pessoas apenas assiste passivamente, ou recebe o “serviço”, (como os americanos do norte chamam o culto). Um modelo que minora este aspecto seletivo elitista clerical nas igrejas institucionais é o que chamam de rede ministerial. Porém, este modelo nem chega perto das reuniões da igreja primitiva. Aliás, é um modelo inspirado no Velho Testamento. Mais uma vez o odre velho!

Enfim, o modelo encontrado no Novo Testamento, o modelo bíblico de igreja, no tocante à liturgia não é o institucional; é o modelo das igrejas nos lares.

Marcio Rocha

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[1] Este livro pode ser baixado gratuitamente no site da editora restauração – www.editorarestauração.com.br



A Organização da Igreja Primitiva (Macro-Organização)
As pequenas igrejas nas casas e a grande igreja da cidade

Em todas as cidades onde os seguidores de Cristo estabeleciam moradia no primeiro século, havia as pequenas igrejas nas casas de alguns irmãos (Gr. hh kat’ oikon eklesia); e o conjunto total das igrejas nas casas de uma cidade era a igreja cristã da cidade. Não há variação deste padrão no Novo Testamento. Quanto às igrejas se reunirem nas casas (oikos), basta olhar as seguintes referências: Atos 1:13; 2:2; 2:42; 2:46; 5:42; 7:48-50; 8:3; 12:12; 16:40; 20:20; 28:30; Romanos 16:3-5; 1 Coríntios 1:11; 14:26; 16:19; Colossenses 4:15; Filemom 1:1-2). Essas são referências diretas. Há outras indiretas, como 1 Cor. 1.16; 16.15 etc.

Quando Paulo escrevia a uma igreja (por exemplo aos Coríntios), ele estava escrevendo aos cristãos da cidade, portanto, a todos os santos que moravam em Corinto, e que compunham a igreja da cidade. Assim era com todas as cidades onde havia cristãos, sem exceção. Igrejas nas casas e a igreja da cidade. Esse era o padrão macro-organizacional.

Não havia divisões (denominações) cristãs em nenhuma cidade. Aliás, qualquer iniciativa neste sentido era tida como pecaminosa e era rigorosamente combatida pelos apóstolos. Divisões são originadas pelo pecado da vaidade: “Eu sou de Paulo, eu de Apolo...(1 Cor. 1.12). Cada cidade deveria ter apenas uma igreja: a igreja cristã da cidade, composta pelas pequenas igrejas nos lares daquela cidade.

Marcio Rocha

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